Meu Querido Espírito

Wednesday, May 31, 2006

Balada do Viajante Solitário

Como bom caminhador de mim, eu sei
Muito bem para onde estou indo
Sei que não sei chegar, pois nunca fui lá
Mas vou aprendendo pelo caminho

E vou aprendendo pelo caminho...

Como bom desbravador de mim, errei
Muitas vezes o caminho
Tropecei, recuei, resisti, avancei
E ainda continuo indo

E ainda continuo indo...

Como bom embaixador de mim, visitei
Outros eus pelo caminho
E em cada um em comum encontrei
Tanto o feio quanto o lindo

Tanto o feio quanto o lindo...

Como bom driblador de mim, avistei
Onde eu começo e não termino
E onde o pé não alcança, a mente se lançará
E alcançará o seu destino

E alcançará o seu destino...

Friday, May 26, 2006

Sobre a Arte da Eloqüência

Meu Querido Espírito,

Às vezes sinto que poderia falar melhor
calado.

Wednesday, May 24, 2006

O Caminho do Mago

Meu Querido Espírito:

Não seja leviano com o que é sagrado,
pois este é o caminho do mago,
e não o de quem busca libertar-se.

Tuesday, May 23, 2006

Escrever É Mentir

Meu Querido Espírito,

Escrever é mentir,
com o intuito de seduzir
até conduzir à verdade.

Verdade para quem escreve,
Palavras para quem lê.

Hexagrama 4

Não saber o que é certo
- é ignorância.
Saber e não fazer
- é escolha.
Fazer o que se sabe que é certo
- é a suprema sabedoria.
Fazer o certo sem saber
- é santidade.

Tuesday, May 16, 2006

Como uma lágrima de chuva

Como uma lágrima de chuva
No olho da lua,
Alegria literal
De viver o real.
A realidade nua
É pura alegoria
De elétrons
E incerteza,
Dura possibilidade
Na beleza da escolha,
Liberdade crua
Que me olha
E me convida
A divisar na vida
Futura poesia.

Wednesday, May 10, 2006

O amanhã se esconde na mente



O amanhã se esconde na mente
ausente do presente.
O passado é igualmente
um foragido pensado.

O presente é justamente
um salto entre pensamentos,
pois quando pensamos
já estamos acorrentados ao tempo.

E é nesse vazio pleno de possíveis,
consciência sem pensamento,
onde não existe o tempo
é que o agora impera:

A soma de tudo que dá sempre zero.

Tuesday, May 02, 2006

Liberte-se!

Liberte-se!
Conhecendo a si mesmo
Liberte-se!
Aprendendo a esquecê-lo
Liberte-se!
Derrotando a si mesmo
Liberte-se!
Aprendendo a vencer-se

Lembra-te de onde vens

Meu Querido Espírito,

Lembra-te de onde vens
Lembra-te de quem és
E do que és capaz
Lembra-te do compromisso
De recomeçar a cada dia.

Quem sabe os donos do mundo

Quem sabe os donos do mundo
Um dia não enxergam o que está claro
Antes que o frágil e raro milagre
Da vida vá-se embora:
Dentro do caixão todo mundo é irmão
Por que não agora?

as obras de arte

Todas as obras de arte existem desde sempre. O artista não as cria; ele simplesmente as capta. E quanto menos seu ego interferir no processo, mais próxima do original será a obra. Ainda há inúmeras e maravilhosas sinfonias, romances, poesias, pinturas e esculturas que jamais venham a existir concretamente neste mundo, pois o seu tempo já passou. Outras se tornam menores, caricaturas do original, pela excessiva interferência do ego.

Todo mundo tem um lado santo

Todo mundo tem um lado santo
E outro sonso
Um lado riso e outro pranto
Um lado gueixa e outro bonzo
Um lado samurai errante

Todo mundo tem um lado santo
E outro sonso
Um lado bom e um nem tanto
Um lado rum e outro ponche
Um lado cavaleiro andante

Fora de mim

Meu Querido Espírito,

Fora de mim
Tudo de ruim!
Dentro de mim só
O que me faz melhor!

Minha poesia

Meu Querido Espírito,

Minha poesia
É uma contradição em termos.

Sempre é possível encontrar

Meu Querido Espírito,

Sempre é possível encontrar
Beleza e Mistério.
Sempre é possível respirar
O Amor Divino.